A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 07/10/2019

Com a Revolução Industrial, no século XVIII, surgiram meios de condução mais rápidos, movidos a vapor. Por sua vez, o modelo de produção de Henry Ford, ao criar veículos automotivos em larga escala, deu início à uma nova fase de mercado, marcada pelo acessibilidade. Entretanto, no Brasil atual, é possível observar que, mesmo havendo transporte ágil e variado, existe uma crise crescente na mobilidade, cujas características são: trânsito lento e estressante, disputa por espaço entre diferentes formas de locomoção e superlotação de coletivos. Não obstante, todos esses fatores afetam a qualidade de vida do cidadão, que não tem seu imposto pago revertido em melhoria pública.

Primeiramente, haja vista ser o carro um bem passivo comumente desejado e comercializado, sua presença no trânsito é evidente, sobretudo pelo aumento na extensão e demora dos congestionamentos. Segundo o Ibope, nos últimos anos, paulistanos têm perdido quase 3 horas  por dia em seus trajetos. Todavia, é preciso asseverar que o número de usuários de serviços de ônibus e metrô cresceu discrepante aos investimentos e otimização da malha urbana. Esse fenômeno contribui para longas horas gastas em percurso, tornando estressante não só a locomoção em si, mas também, gerando desgaste físico e psicológico. Adrenalina, hormônio liberado durante a condução, por exemplo, afeta a pressão cardíaca e o próprio coração, tornando o indivíduo mais suscetível a infarto.

Contudo, embora exista, principalmente em centro urbanos, elevada quantidade de pessoas e meios de transporte, a disputa de espaço também é um problema complexo. Ciclovias, que tinham 87% de aprovação em 2014, passaram a apenas 59% em 2015.  Porém, ainda são necessárias para dar segurança mínima a quem usa bicicleta e patinetes. Concomitantemente, tais meios de deslocamento auxiliam na redução do número de passageiros em coletivos, saturados por investimentos precários e pelo elevado preço das passagens, que, em regiões como São Paulo, geram situação de insatisfação, manifestações e, até mesmo, atos de vandalismo oriundos da negligência e desdém do Poder Público.

Portanto, diante do exposto, fica patente que a crise urbana brasileira é pautada pelo excesso de veículos, trânsito intenso e inadequação da infraestrutura à realidade. Nesse sentido, cabe às prefeituras e seus respectivos órgãos estaduais de desenvolvimento e transporte, criar projetos que, paralelamente, ampliem a quantidade, alcance e qualidade dos meios públicos de locomobilidade e desloque centros de estudo, comércio e negócios para demais áreas de perímetro urbano. Essas medidas resultarão na redução do tempo e do trajeto de estudantes e trabalhadores, diminuindo fatores de risco à saúde, como o estresse e tornando a crise atual parte de um passado superado, como  tantos outros aspectos negativos causados por revoluções e quebra de paradigmas.