A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 07/10/2019

A Constituição Federal de 1988, norma de maior hierarquia do sistema jurídico brasileiro, assegura todos o direito da livre locomoção no território nacional. No entanto, a questão da mobilidade urbana tem se tornado uma realidade preocupante no Brasil contemporâneo. Desse modo, percebe-se a configuração de um problema complexo, devido à grande exaltação do veículo particular e às insuficiências governamentais.

Primeiramente, é válido mencionar que a demasiada valorização aos meios de transporte privado é uma das razões para o dilema. Nesse sentido, durante o governo JK, no século XX, houve-se um alto investimento no indústria automobilística, uma vez que tornou mais acessível à compra de automóveis. Sob esse viés, verifica-se uma utilização desenfreada desses veículos, haja vista que o desserviço do transporte público viabiliza tal quadro e, por conseguinte, propicia o aumento dos engarrafamentos.

Além do mais, é importante destacar que o descaso governamental influencia no impasse. De acordo com Aristóteles, a política tem como função preservar o afeto entre pessoas de uma sociedade. Dessa forma, nota-se um desmazelo do poder público perante aos transportes coletivos, de modo que a precariedade deste serviço é evidenciada no atual contexto nacional. Logo, urge a necessidade de mudar tal conduta, para que a locomoção da população seja facilitada e garantida.

Infere-se, portanto, que ações são imprescindíveis para atenuar a crise da mobilidade urbana. Para isso, o Ministério da Infraestrutura deve criar o PMTP(Plano de Melhoria do Transporte Público), por meio do repasse de verbas para os municípios do país, com o propósito das prefeituras reformularem o sistema vigente. Ademais, seria interessante a implementação dos transportes alternativos, como as bicicletas compartilhadas, a fim de que a população poça ter variadas formas de locomoção. Assim, possivelmente, a determinação da Constituição seja obedecida.