A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 07/10/2019

No século XIX, com o surgimento da Segunda Revolução Industrial, o mundo conheceu o modo fordista de produção em série. Diante disso, o principal produto que passou a ser fabricado nas industrias foi o carro, o que fez com milhares de pessoas no mundo passasem a desejar tal objeto. Nesse sentido, a referida cultura de transporte em veículos automotores trouxe imensos problemas para as sociedades contemporâneas, dentre os quais os mais impactantes são a superlotação das vias disponíveis para o trânsito e a ausência de modais mais alternativos de transporte dentro das cidades.

Nesses termos, vale a realização de uma análise mais profunda acerca dos elementos constitutivos da temática proposta. De acordo com o jornal “Correio Popular”, se o aumento da frota automotiva permanecer no mesmo rítimo do atual, em poucos anos algumas cidades do Sudeste brasileiro terão as suas principais vias de acesso aos centros urbanos totalmente congestionadas. Tal dado permite afirmar que uma iminente crise urbana ameaça milhares de pessoas no país, haja vista que sem uma boa mobilidade a economia se torna ineficiente, fazendo com que diversos âmbitos sociais entrem em colapso.

Supracitadas algumas das partes que ladeiam a questão da dinâmica urbana, pode-se ainda citar um outro aspecto da problemática, que é a deficiente diversificação das formas de locomoção no Brasil. Segundo informações coletadas pelo Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística, cerca de 83 por cento das pessoas usariam os meios públicos de transporte se eles atendessem aos anseios da população. O referido levantamento, aliado ao abandono brasileiro pelos modais de transporte coletivo, demonstra que uma parte significativa do caos urbano no país é derivado justamente da incapacidade do Estado em investir corretamente os seus recursos.

Assim sendo, é nítido que muito deve ser feito para sanar os problemas da mobilidade no Brasil, por isso cabe aos governantes criarem medidas que proporcionem o máximo de contentamento possível para o povo, parafraseando Jeremy Bentham. Portanto, os dirigentes dos estados federativos podem desenvolver projetos de ampliação e alargamento das principais vias de trânsito, fazendo, ainda, campanhas de apoio ao compartilhamento de veículos entre vizinhos, com o fito de diminuir a massa de carros e motos nas ruas, dando uma maior capacidade de movimentação nos grandes centros do país. Ademais, os Governos dos estados devem promover maiores investimentos nos tranportes coletivos, como nos trens e ônibus, aumentando a qualidade interior dos veículos e desenvolvendo melhores redes de articulação entre os diferentes modos de transporte. Tomando-se essas medidas, a população conseguiria ter melhor conforto no serviço público e agilidade nas tarefas do dia dia.