A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 08/10/2019
“50 anos em 5”,esse foi o lema propagado pelo presidente Juscelino Kubitschek no final da década de 50. Essa afirmação prescindia a idealização de modernidade e avanço, causado pela abertura da economia para indústrias estrangeiras. Pela entrada de montadoras no Brasil, foi investido milhões de reais em rodovias, porém, o governo não calculou os impactos na mobilidade que tal orçamento poderia causar. Destarte, o século XXI presencia uma grave crise na imobilidade urbana, além de crescentes problemas de saúde na população causados por essa exposição.
Embora os investimentos das indústrias de automóveis tenham remodelado a economia com as suas instalações, o dinheiro foi destinado à apenas um setor de transporte, o rodoviário. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, o país possui em média 1,03 km de rodovia por habitante, ou seja, o Brasil apresenta grandes extensões de circulação, no entanto, o excesso de veículos deixa essas estradas congestionadas, delimitando seu uso. Todavia, vale ressaltar que essa imobilidade poderia ser amenizada se o país investisse em outros meios de transporte, como o ferroviário, que atualmente apresenta apenas 30.000 km de extensão, totalmente contrário aos países desenvolvidos, que optaram por melhorar trens e metrôs, para locomover o maior número de passageiros em menos tempo. Essa situação é evidenciada em Hong Kong, que apresenta uma malha ferroviária de 218,2 km de extensão, se tornando o melhor sistema de deslocamento do mundo.
Ademais, estudos recentes tem comprovado que o aumento do congestionamento e frequentes atrasos no transporte, se tornaram agravantes nos problemas de saúde. O médico especialista da USP, Paulo Saldiva, afirma que 10% dos infartos no mundo são causados pela exposição do trânsito e à poluição. O aumento de veículos desencadeia mais gases do efeito estufa, que deixam as grandes cidades cobertas de poluentes nocivos a saúde, ocasionando um acumulo de fuligem nos pulmões, que geram doenças cardíacas e respiratórias, não só para os motoristas e passageiros, mas também para toda a sociedade que inspira esse ar contaminado.
Portanto, é mister que o Estado tome providências para atenuar o problema. Para isso, é necessário que o governo, através de verbas públicas, invista nas ferrovias do país, aumento o número de trilhos e trens, diminuindo o contingente de passageiros no transporte individual. Tendo como esse proposito, melhorar os atuais ônibus e adicionar outros em horários de maior movimento, também ajudara a reduzir o uso de carros por habitante. Consequentemente, o índice de veículos diminuirá, assim como a emissão de gases poluentes, minimizando o tempo na estrada e os problemas de saúde causados pelas falhas da imobilidade no Brasil.