A contribuição do empreendedorismo para o desenvolvimento local
Enviada em 11/11/2021
O Vale do Silício, nos EUA, concentra a maior porcentagem de empreendedores do mundo. Sob esse exemplo, destaca-se a autonomia financeira e o nível de desenvolvimento tecnológico, que possibilitaram sua independência, enquanto macrorregião econômica, do poder público. Nesse sentido, traça-se um paralelo ao exemplo supracitado, para reforçar a contribuição do empreendedorismo para o desenvolvimento regional, fato esse, que, infelizmente não é reproduzido no cenário brasileiro. Isso se deve à escassez de aplicação de capital por parte do Estado, que seja efetivamente capaz de financiar os empreendedores brasileiros, além da exorbitante burocracia processual.
Em primeiro lugar, deve-se ater à discussão a falta de investimento em margens de crédito para empreendedores de micro e médio porte, essencialmente. Nesse sentido, explicita-se o seguinte: a geração de empregos que contribuem para o aumento da qualidade de vida da população, decorrente da maior injeção de investimento no mercado local, que ocasiona o desdobramento da economia e, por conseguinte, menor periferização do núcleos urbanos e redução da migração pendular para as regiões centrais valorizadas, se torna impossibilitada pela falta de crédito financiário enfrentada por essa parcela de empresários. Nessa senda, a máxima de Karl Marx:‘‘A base de uma sociedade é o capital’’ não é efetivada na realidade brasileira pelo poder público, o que desestimula o desenvolvimento regional nacional.
Em segundo lugar, discute-se, também, as exorbitantes burocracias processuais as quais são submetidos os potenciais empreendedores, cerca de 11 procedimentos e média de 100 dias para formalização. Nesse panorama, é evidente que a insuficiência legislativa contribui para que esse entrave perdure no corpo social tupiniquim. Diante disso, dimensiona-se a urgência necessidade de reformular as bases legais que sustentam o gerenciamento do empreendedorismo regional. Dessa forma, os dados publicados pelo Banco Mundial, que citam o Brasil como um dos países mais demorados para se formalizar um negócio, não serão mais efetivados na prática e a sociedade se sentirá estimulada em empreender e contribuir no desenvolvimento de sua região.
Visto isso, por fim , urge que a Receita Federal, órgão responsável pela administração dos tributos federais, em parceria com bancos estatais, formule, por meio de assembleias com especialistas em crédito financiário, contratos de concessão de financiamento com menor taxas de juros para microempreendedores e maior números de parcelas para médios. Isso deve ser feito com o fito de estimular potenciais empresários a injetarem dinheiro nos seus negócios com maior margem de segurança monetária. Somente assim, será possível, enfim, se espelhar na realidade do Vale do Silício.