A contribuição da miscigenação para a identidade cultural brasileira

Enviada em 21/08/2024

Desde o Iluminismo, entende-se que uma sociedade só progride quando um se mobiliza com o problema do outro. No entanto, quando se observa a contribuição da miscigenação para a identidade cultural brasileira, no Brasil, hodiernamente, verifica-se que esse ideal é constatado na teoria e não desejavelmente na prática e a problemática persiste ligada à realidade do país, seja pela falta de valorização das diferentes etnias e culturas, seja pela manutenção de estereótipos que reforçam preconceitos e segregação racial. Nesse sentido, convém analisarmos as principais consequências de tal postura negligente para a sociedade.

É permanente que a questão constitucional esteja entre as causas do problema. Segundo o filósofo Aristóteles, a política deve ser utilizada de modo que, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. De maneira análoga, é possível perceber que, no Brasil, o descaso na implementação de políticas públicas que valorizem a diversidade cultural rompe essa harmonia, haja vista que a marginalização de certas etnias e culturas em espaços de poder e representatividade ainda persiste, criando barreiras para uma sociedade mais inclusiva e plural.

Ademais, destaca-se o racismo estrutural como impulsionador da problematica. De acordo com Durkheim, o fato social é uma maneira coletiva de agir e de pensar. Seguindo o raciocinio, observa-se que a perpetuação de atitudes discriminatórias e a invisibilização de contribuições culturais de grupos miscigenados acabam por reforçar a desigualdade e dificultar a construção de uma identidade nacional que realmente abrace a diversidade existente no país.

É evidente, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem à construção de um mundo melhor. Destarte, o governo federal deve promover campanhas educativas em larga escala para valorizar a miscigenação e a importância da contribuição de todas as etnias para a formação da cultura nacional. Diante de tal exposto, o Ministério da Educação (MEC) deve instituir, nas escolas, palestras ministradas por psicólogos, que discutam o combate ao preconceito e à discriminação racial, a fim de que o tecido social se desprenda de certos tabus para que não viva a realidade das sombras, assim como na alegoria da caverna de Platão.