A capacidade da internet de empoderar o indivíduo
Enviada em 04/10/2025
Na série Black Mirror, expõe-se de maneira crítica a realidade de indivíduos imersos no uso de tecnologias digitais, revelando tanto potencialidades de transformação social quanto riscos de exclusão e manipulação. Apesar dos avanços sociais, pode-se afirmar que a internet, quando utilizada de forma crítica e inclusiva, possui a capacidade de empoderar o indivíduo, especialmente no que diz respeito à ampliação da autonomia e do acesso à informação. Nesse viés, é possível observar que essa problemática se desdobra em razão da desigualdade digital e da negligência quanto à educação midiática.
Sob essa ótica, deve-se destacar o impacto positivo da conectividade na vida cotidiana. De acordo com relatório da União Internacional de Telecomunicações (UIT), em 2023, cerca de 5 bilhões de pessoas estavam conectadas à internet no mundo, o que possibilita o acesso a conteúdos educativos, oportunidades de trabalho e participação em debates sociais. No entanto, milhões ainda permanecem desconectados, sobretudo em regiões periféricas, o que reforça a necessidade de políticas públicas voltadas à inclusão digital. Dessa forma, enquanto o poder da rede possibilita maior protagonismo individual, a exclusão tecnológica compromete o pleno exercício da cidadania.
Por conseguinte, outro fator que evidencia a capacidade emancipatória da internet é a circulação de informações. Conforme o filósofo Manuel Castells, as redes digitais estruturam a chamada “sociedade em rede”, na qual o fluxo de dados redefine relações de poder. Nesse sentido, indivíduos antes invisibilizados encontram espaço para expressar suas vozes e organizar movimentos sociais. Todavia, a ausência de preparo crítico diante da avalanche informacional pode gerar manipulação e desinformação, dificultando a concretização de um empoderamento efetivo.
Portanto, são necessárias medidas que reforcem o papel emancipador da internet. Para isso, o Ministério das Comunicações e o da Educação devem ampliar programas de inclusão digital e letramento midiático, enquanto empresas de tecnologia investem em acessibilidade. Assim, garante-se a redução das desigualdades informacionais no Brasil.