A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea
Enviada em 09/03/2022
As cirurgias plásticas foram popularizadas logo após o início da Primeira Guerra Mundial, com o objetivo de reconstituir partes dos corpos dos soldados que tiveram sido desfiguradas no decorrer das batalhas. De maneira análoga a isso, tem-se notado a banalização de tais práticas na sociedade conteporânea. Nesse prisma, destacam-se dois asprectos importantes: por que as mulheres são a maioria a realizar procedimentos estéticos? Qual o impacto das mídias sociais no aumento e na acessibilização de tais procedimentos?
Em primeira análise, evidencia-se que o ideal estético feminino foi muito mais inconstante desde os primórdios da civilização, se comparado com o padão masculino. Ao observarmos esculturas da grécia antiga, por exemplo, podemos notar que o homem belo daquele período ainda é o mesmo dos dias atuais. Sob essa ótica, pode-se perceber o impacto um tanto preocupante sobre o percentual divulgado pela Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS em inglês) em 2018. As mulheres representaram 87,4% do total de 1,5 milhão de cirurgias plásticas feitas.
Além disso, as mídias sociais têm tido uma grande influência para o aumento desse percentual. Digitais influencers passaram a falar aberta e detalhadamente sobre cirurgias plásticas. O grande problema atrelado à essa publicidade está diretamente ligado ao fato da isenção de informações importantes tais como os riscos e consequencias envolvidos ao realizar tais procedimentos. Tornando a prática mais desejável deixando de lado a conscientização acerca do perigo.
Desprende-se por tanto, a adoção de medidas que venham conter a banalização das cirurgias plásticas. Dessa maneira, cabe ao Conselho Federal de Medicina tomar medidas mais eficazes, por meio de regras que não só regularizem a forma como tais procedimentos são divulgados nas mídias sociais e priorizem a propagação da autoaceitação, mas que também procurem alertar ao paciente todos os riscos aos quais estes estão expostos. Assim, menos pessoas se sentirão pressionadas a adquirir o padrão estético do momento, diminuindo consequentemente o alto percentual de mulheres que se submetem a realizar mudanças estéticas permanentes.