A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea
Enviada em 31/01/2022
Na obra “Utopia de More”, do escritor Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos. Entretanto, o que se observa no contexto vigente é o oposto do que o autor prega, uma vez que a banalização das cirurgias plásticas na contemporaneidade apresenta desafios, os quais dificultam a concretização dos planos de More. Nesse sentido, percebe-se a configuração de um grave problema com contornos específicos, fatores como legado histórico e má influência midiática caracterizam tal cenário temerário.
Em primeiro plano, deve-se destacar que o legado histórico estimula visceralmente a persistência da inercial temática. O culto ao corpo era uma das principais características dos Jogos Olímpicos da Grécia Antiga, onde o aspecto físico do homem era glorificado e exaltado. À luz dessa análise, é possível interpretar adequamente as ações coletivas por meio do entendimento de eventos passados. Assim, a banalização das cirurgias plásticas, mesmo que fortemente presente no século XXI, apresenta raízes intrínsecas à Idade Antiga, o que dificulta a resolução da mazela.
Outrossim, é notório que a problemática encontra terra fértil na má influência midiática. Conforme Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Por conseguinte, é válido mencionar o caso Camila Uckers, em decorrência de cirurgias plásticas mal sucedidas, a influenciadora digital teve uma série complicações físicas e psicológicas. Nessa perspectiva, pode-se considerar que a mídia, em vez de promover debates que elevem o nível de informação da população, influencia na consolidação do problema, visto que oculta tais riscos e valoriza gradativamente o corpo perfeito.
Destarte, medidas exequíveis são imprescindíveis a fim de mitigar o imbróglio. Por conseguinte, especialistas no assunto, com o apoio de ONGs também especializadas, devem desenvolver ações que revertam a má influência midiática sobre a banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea. Tais práticas devem ocorrer nas redes sociais, por meio da produção de vídeos que alertem sobre as condições verídicas da questão. Ademais, os debates são fundamentais com o objetivo de fomentar o engajamento e a proposta ganhar mais visibilidade, consequentemente, a construção do conhecimento será solidificada. Em suma, atenuar-se-á em médio e longo prazo a nocividade da questão e a coletividade alcançará o bem-estar.