A banalização da prescrição de psicofármacos na infância

Enviada em 16/08/2021

3/4 de Ritalina e 1/4 de erro

Na propaganda do Google, o famoso site de busca orienta seus usuários a “darem um google” para resolver seus questionamentos. Apesar do uso de ferramentas de pesquisa ser positivo para a sociedade, muitos pais acabam substituindo diagnósticos por encontradas na internet. Essa prática resulta em uma indução a falsos diagnósticos de doenças psiquiátricas e por consequência um crescimento do uso indevido de psicofármacos na infância.

Em primeiro lugar, sabe-se que todo diagnóstico psiquiátrico é dado por um profissional especializado na área. Porém, doenças mentais não são diagnosticáveis ​​por meio de exames laboratoriais, para uma criança ser diagnosticada ela precisa do depoimento sobre seus comportamentos dos seus responsáveis. Vale ressaltar que, segundo a Agência Nacional Sanitária (Anvisa), a imprecisão da prevalência do TDAH - Transtorno de Déficit de Atenção entre crianças e adolescentes no Brasil chega a ser de 26,8%, o que a reforça a tese de que a indução dos relatos dos responsáveis ​​sobre o comportamento da criança seja um viés causador de falsos positivos nos diagnósticos de TDAH.

Diante disso, prezando pela resolução da enfermidade da criança, esta que pode ser facilmente induzida pelos pais no diagnóstico, é orientado o uso de medicamentos psiquiátricos como forma de tratamento principal. Segundo a UERJ - Universidade Estadual do Rio de Janeiro, de 2003 a 2012 houve um aumento de 75% no consumo de Metilfenidato (Principal remédio no tratamento do TDAH) no Brasil. Além disso, segundo o Conanda - Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, a banalização e o uso indevido de psicofármacos pode causar dependência física e psicológica. Com base no que foi citado, percebe-se que o aumento elevado do uso do Metilfenidato, também conhecido como Ritalina, pode ser daninho ao público que não precisa dessa médicação, que de acordo com a Anvisa representa 1 em cada 4 pacientes diagnosticadas.

Portanto, diante dos argumentos citados, um diagnóstico mal solucionado pode levar o paciente a sérios problemas de saúde. Visto que a solução está em obter uma análise mais precisa do seu caso. É necessário que o Ministério da Saúde em parceria com as escolas, crie programas para realizar acompanhamentos psicológicos por meio de profissionais e estudantes de saúde, um fim de avaliar a forma longitudinal os alunos para obter um resultado mais preciso do seu comportamento e ajudar na tomada de decisão do diagnóstico. Tal atitude, diminuiria de forma eficaz na imprecisão dos resultados de sanidade e consequentemente banalização dos psicofármacos na infância.