A banalização da prescrição de psicofármacos na infância

Enviada em 15/08/2021

A revolução na química pura e aplicada, oriunda da efervescência inventiva da 3ª Revolução Industrial, trouxxe ao mundo uma série de avanços para a medicina e, em especial, para a psiquiatria. Entretanto a banalização da prescrição de psicofármacos na infância vem se tornando um sério problema para o desenvolvimento das crianças. Sendo, portanto, a dependência precoce fruto de uma cultura hipoccondríaca brasileira a composição causal deste óbice, é necessário que haja um amplo debate.

Em “Admirável mundo novo”, de Aldous Huxley, as pessoas são sempre encorajadas a consumir o “SOMA”, uma droga responsável por tornar situações ruins em mais palatáveis, o que causa uma forte adicção nos personagens. Fora da ficção, o vício das crianças em remédios psíquicos tem se tornado uma realidade cada vez mais preocupante. Tendo em vista que a dependência causa sérios transtornos de aprendizagem e sociabilidade, a presença deste mal na infância, fase em que há o desenvolvimento de inúmeras habilidades e capacidades, faz com que o óbice necessite de atenção por parte da sociedade.

Outrossim, nota-se que tal situação se mostra como consequência de uma hipocondria generalizada presente no tecido social nacional. Segundo o Conselho Federal de Farmácia, esta patologia abrange cerca de 10% da população brasileira. Assim sendo, quando a hipocondria adentra a realidade das crianças é porque elas já estão imersas em uma rede em que este mal é prevalente. Então, torna-se facilmente acessível aos infantes a administração de psicofármacos de diversas ordens, apesar dos efeitos negativos consequentes disto.

Destarte, para que haja a redução das problemáticas resultantes da prescrição indiscriminada de psicofármacos aos infantes, é necessário que o parlamento, na função deliberativa, com apoio dos sindicatos e associações da classe psiquiátrica, criminalize a prática da administração de medicamentos controlados à menores de idade sem justificativa