A banalização da prescrição de psicofármacos na infância
Enviada em 06/08/2021
No final do século passado, motivados pela mecanização do campo e buscando melhores condições de vida, muitas famílias migram do meio rural para às cidades, adotando novos valores e privando as crianças do contato interpessoal. Como resultado, com os pequenos restringidos e, consequentemente, inquietos, vê-se um aumento na demanda de remédios para enfermidades psicológicas sem a devida necessidade. Nesse viés, essa nova realidade urbana limitante e a pressão que a própria sociedade exerce sobre os menores mostram-se agravantes à problemática da banalização da prescrição de psicofármacos na infância.
Nesse cenário, a urbanização de uma forma geral priva os menores do contato interpessoal, levando-os à inquietude. Consoante ao IBGE, mais de 60% da população brasileira se encontra nas cidades e, segundo o instituto, esse número só tende a crescer. Diante disso, buscando mais segurança, pais restringem a liberdade do filho, que fica enclausurado no apartamento ou em casa e, com energia acumulada, a criança fica mais inquieta e ativa, podendo ser confundida e diagnosticada erroneamente com algum tipo de enfermidade psicológica. Assim, para mitigar essas falsas constatações, deve-se elaborar um plano por parte do poder federal com a intenção de conscientizar sua população.
Salienta-se ainda que, a falácia de que crianças devem ser comportadas certamente resulta na opressão delas. Analogamente ao sociólogo Émile Durkheim, essa pressão sofrida pelos menores pode ser entendida como um fato social, pois é exterior ao indivíduo e tem poder de coerção sobre ele. Desse modo, o corpo biológico - sociedade - oprime as crianças quando perpetua a ideia de criança comportada, assim, os que forem muito ativos “devem” ser medicados e aquietados, pois “possuem” algum distúrbio. Logo, para sanar essa patologia social, é cabível ao Estado elucidar os pais, responsáveis e a sociedade de forma geral.
Em suma, a banalização da prescrição de psicofármacos na infância está muito relacionada a essa nova realidade urbana brasileira. Portanto, é papel do governo federal (órgão máximo da nação) promover campanhas publicitárias via rádio, TV e mídias sociais, com a finalidade de conscientizar a população dos malefícios causados por esses medicamentos. Destarte, os remédios para enfermidades psicológicas seriam mais corretamente utilizados e as crianças mais ativas poderão se desenvolver de forma mais adequada.