A banalização da prescrição de psicofármacos na infância
Enviada em 01/08/2021
Segundo o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, a falta de solidez nas relações humanas é uma importante característica da “modernidade líquida”, conceito inventado por ele mesmo para descrever a superficialidade das relações atuais. A banalização da prescrição de psicofármacos na infância a fim de aumentar o rendimento ou diminuir comportamentos indesejados pelos pais e professores é um fator que reflete essa realidade.
Existem inúmeros fatores ambientais capazes de alterar o comportamento humano, principalmente durante a infância, onde há tão pouco repertório comportamental adiquirido. Sendo assim, os fatores causadores de comportamentos indesejados podem ser facilmente manejados pelos cuidadores. Ainda, segundo a autora Daiane Papalia em seu livro Desenvolvimento Humano, a infância é um período de experimentação comportamental, e o que define a continuidade desses comportamentos é a forma como eles são reforçados. Ou seja, através de intervenções e modelos comportamentais e não da utilização de psicofármacos.
Além disso, é comum observarmos a utilização desses medicamentos para aumentar o rendimento e melhorar a performance nos estudos. Porém, o modelo de ensino atual se mostra bastante arcaico, sendo amplamente criticado por grandes pesquisadores da psicologia educacional, como por exemplo Jean Piaget. Medicar grande parte das crianças para que elas se adequem ao modelo de ensino proposto pode ser um grande equívoco, além de prejudicial a saúde.
O combate a liquidez citada inicialmente, a fim de conter o avanço dessa problemática, deve se tornar efetivo, uma vez que o aumento do rendimento escolar e a diminuição de comportamentos indesejados da forma como está sendo realizada é prejudicial ao desenvolvimento. Sendo assim, desde que haja a conscientização da população atravez de iniciativas do Ministério da Saúde e da Educação e a atividade conjunta entre sociedade e família, será possível amenizar o uso indiscriminado de psicofármacos na infância.