A banalização da prescrição de psicofármacos na infância
Enviada em 29/07/2021
“O Estado preocupa-se com a saúde do indivíduo em função de sua utilização como instrumento de trabalho e não em função de suas esperanças, de seus anseios, de seus temores ou de seus sofrimentos.” Assim, como essa citação do médico e professor, Jayme Landmann, assemelha-se aos exageros ao prescrever medicamentos para o tratamento de crianças e adolescentes que apresentam dificuldades na aprendizagem, comportamento e disciplina. Desse modo, o que muitas vezes ocorre é o imediatismo, seja por parte da família, da escola ou dos próprios médicos, isto, porque, a mentalidade social espera que o tempo de todos sejam o mesmo.
Por isso, assim como disse Marilene Proença, professora de psicologia escolar e educacional da USP e conselheira do Conselho Federal de Psicologia, existe uma lacuna na estrutura de ensino. Dessa forma, há uma carência no desenvolvimento dos estudantes, de fato, o problema, geralmente, não é com a criança, mas, sim, na forma de lecionar. Portanto, o medicamento é, apenas, um amenizador de dificuldades, não importa qual.
Outrossim, sabe-se que, realmente, há crianças que necessitem dos remédios, porém, não são todas, às vezes, ela é, apenas, um pouco mais agitada. Nesse sentido, a prescrição errônea destes fármacos, pode gerar dependência física e/ou psicológica e, até mesmo, o silenciamento, ao invés de ajudá-la a encontrar seu caminho, acaba calando-a. Por conseguinte, para prevenir a excessiva recomendação destas drogas, é recomendado a adoção de tratamentos alternativos.
Desta forma, é necessária a atenuação na instrução destes medicamentos psiquiátricos para menores de idade. Assim sendo, o Ministério da Saúde deve investir em tratamentos não convencionais, aqueles não medicamentosos, por meio da destinação de verbas, a fim de reverter a supremacia do imediatismo que impera. Tal ação pode, ainda, ser divulgada na mídia de massa para que a população tome conhecimento destas demasiadas prescrições. Paralelamente, é preciso intervir sobre o imediatismo presente no problema.