A banalização da prescrição de psicofármacos na infância

Enviada em 27/07/2021

De acordo com Talcott Parsons , a família é uma máquina que produz personalidades humanas. De maneira análoga ao que diz Parsons , é notório que a banalização da prescrição de psicofármacos na infância deve-se , também, a falta de orientação familiar sobre doenças psiquiátricas e psicológicas . Isso ocorre pois a família exclui sua responsabilidade no que tange à saúde e ao bem estar da criança , tal comportamento acarreta na procura por tratamentos radicais que envolvam psicofármacos . Dessa forma , a negligência familiar e o preconceito social atuam como agentes perpetuadores desse revés.

Sob esse viés , é lícito postular que a negligência familiar age como força motriz nessa problemática . Ainda nessa visão , é nítido que muitas famílias brasileiras ignoram a individualidade das crianças e a julgam com problemas de saúde mental apenas pelos seus atos e comportamentos . À luz dessa perspectiva , a família muitas vezes atribui a responsabilidade incubida à ela ao tratamento com psicofármacos . Fazendo, assim ,com que o uso de medicamentos seja prescrito devido às reclamações  narradas pelos responsáveis familiares ao médico.

Outrossim , o preconceito social sobre as doenças psiquiátricas e psicológicas intensifica o problema . A partir dessa observação , é evidente que a sociedade ainda tem muitos estigmas relacionados à doenças de saúde mental . Desse modo , a consequência causada por um núcleo social preconceituoso são as incitações e as reclamações das pessoas de dentro e de fora da família sobre o comportamento inadequado da criança. Logo , a família condena esse indivíduo à titulação de uma doença ou distúrbio mental para uma aceitação social.

Portanto , é necessário que o Ministério da Saúde invista em ações que diminuam o uso de psicofármacos em crianças . Isso pode ser feito por meio de campanhas e “workshops” em escolas de ensino básico que ensinem aos responsáveis familiares que cada criança possui sua individualidade e que muitas vezes os problemas comportamentais não se enquadram como problema de saúde mental . Porém pode estar intrinsicamente ligado à relação da criança com a família , que como diz Parsons é uma máquina que produz personalidades humanas . Tal ações devem ser tomadas para que o preconceito social seja amenizado e para que a família possa estar presente na formação do caráter das crianças .