A banalização da prescrição de psicofármacos na infância
Enviada em 15/07/2021
Em sua obra “Utopia”, o escritor inglês Thomas More idealiza uma sociedade perficiente, na qual a coletividade caracteriza-se pela inexistência de conflitos. Entretanto, observa-se que a realidade destoa do que é aclamado pelo autor, uma vez que a banalização da prescrição de psicofármacos na infância é um óbice presente, sendo necessário mitigá-lo. Para tanto, cabe analisar a falta de informações acerca do assunto e a alienação social.
Nessa perspectiva, a escassez informacional é uma propulsora do óbice. Segundo o filósofo Habermas, a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Nesse víes, para se resolver um problema, é necessário discuti-lo amplamente, o que não ocorre na prescrição de psicofármacos para as crianças, haja vista que as famílias dos infantos não são suficientes informadas sobre os casos que os medicamentos são realmente necessários e sobre as consequências do uso deles. Assim, é de suma importância atentar as famílias quanto a esses detalhes.
Ademais, a alienação social é outro entrave a ser enfrentado para resolução da problemática. A filósofa alemã Hannah Arendt, em “Banalidade do Mal”, refletiu acerca do processo de massificação da sociedade, o qual aliena a população e faz com que situações maléficas que ganham significativo apelo populacional sejam aceitas como comportamentos normais. Sob essa ótica, esse fenômeno ocorreu na prescrição de psicotrópicos na infância, pois, como muitas pessoas já fazem uso desses medicamentos, médicos e famílias optam pelo uso. Por conseguinte, isso pode acarretar alteração das emoções, mudando a personalidade natural da criança, visto que os remédios supracitados atuam no sistema nervoso central.
Portanto, medidas são necessárias para atenuar tal entrave. Nesse prisma, o Ministério da Saúde deve promover amplas discussões sobre a prescrição de psicofármacos na infância, informando as famílias sobre as consequências do uso e sobre onde achar ajuda de profissionais. Isso será feito por meio das redes sociais- haja vista seus altos potenciais de alcance. Tal medida tem por intuito ampliar o conhecimento da população sobre o uso de psicofármacos e, consequentemente, fazer com que esse recurso seja usado de forma mais consciente e, com isso, não seja mais banalizado. Desse modo, a sociedade atual ficará mais próxima daquela retratada por More.