A banalização da prescrição de psicofármacos na infância

Enviada em 15/07/2021

Nos dias de hoje, muito tem se falado de indivíduos que ingerem fármacos como a hidroxicloroquina e a ivermectina de maneira abusiva, mesmo eles não tendo eficácia comprovada no tratamento da Covid-19. Paralelamente ao uso indiscriminado dessas duas substâncias, também é possível observar a igualmente perigosa banalização da prescrição de psicofármacos na infância. Nesse sentido, a problemática além de ser um atentado à saúde pública, também é evidência de educação de má qualidade.

Sob esse viés, deve-se apontar que a prescrição desnecessária desses medicamentos aos jovens é danosa à saúde. Fármacos que agem sobre as funções cerebrais- como o metilfenidato, que é utilizado para tratar déficit de atenção e hiperatividade- têm diversos efeitos colaterais possíveis, dentre os quais pode-se citar desde nervosismo até desmaios. Assim, crianças que poderiam ser tratadas somente com terapias não medicamentosas (como consultas a psicólogos), são expostas a riscos à saúde desnecessários.

Ademais, é preciso ressaltar que o entrave também é consequência de educação de má qualidade. O sistema de ensino atual é falho ao priorizar o lado acadêmico em detrimento do lado emocional das crianças. No Brasil, a Base Nacional Comum Curricular diz que no ensino fundamental o aluno deve ser capaz de, por exemplo, solucionar equações de segundo grau. Porém, não prevê aulas que ensinem aos jovens como lidar com suas emoções. Nesse contexto, é comum que surjam crianças com “necessidade de tratamento médico” por dificuldade de aprendizagem, enquanto são as escolas que têm dificuldade de ensinar.

Depreende-se, portanto, que a banalização da prescrição de psicofármacos na infância é um problema que danifica a saúde das crianças e tem suas raízes no falho sistema de ensino atual. Por isso, é um entrave que deve ser combatido. Nesse sentido, é imprescindível que as escolas, por intermédio de atividades lúdicas, auxiliem os jovens a controlar suas emoções, a fim de que eles não sejam submetidos a medicamentos desnecessários. Além disso, a ação deve ocorrer com o apoio das famílias fora do ambiente escolar. Somente assim, a saúde dessas crianças será preservada.