A banalização da prescrição de psicofármacos na infância

Enviada em 12/07/2021

O filósofo Cícero, exprime em sua fala que “A ignorância é a maior enfermidade do ser humano.” Diante disso, convém depreender os efeitos da insipiência frente à vulgarização da prescrição de psicofármacos na infância. Nesse sentido, é lícito destacar a automedicação e o fácil acesso a fármacos como principais coadjuvantes para a perpetuação desse cenário negativo.

Em primeiro lugar, podemos destacar a automedicação como um grande vilão. Com base nisso, pesquisas realizadas pelo Conselho Federal de Farmácia mostram que 77% dos brasileiros se automedicam.  Nesse contexto, a utilização de remédios mediados pelos pais na vida da criança sem acompanhamento médico torna-se preocupante, visto que, muitos pais na tentativa de inibir algum déficit comportamental presente em seu filho, façam utilização de psicofármacos, fazendo um uso incorreto ou desnecessário de fármacos que por sua vez podem trazer diversos problemas para vida da criança como, dependência física ou psicológica. Desse modo, é necessário instruir os tutores da criança sobre a utilização correta desses psicofármacos.

Outrossim, é imperativo destacar o fácil acesso a medicamentos como um dos fatores agravantes da problemática. De acordo com dados do Conselho Federal de Farmácia existe uma drogaria para cada 3.300 habitantes do Brasil. Com base nisso, é evidente a facilidade com a qual obtem-se medicamentos no país, visto que, muitos destes nem sequer necessiam de uma prescrição médica e são comercializados livremente a qualquer cliente, paralelo a isso, as pessoas buscam por maneiras simples de acabar com os desconfortos de sua vida e com o avanço da ciência e a disposição de substâncias que podem acabar facilmente com esses desconfortos, as pacientes tendem a gerar pressão em cima dos médicos durante as consultas, para que estes prescrevam remédios ignorando o riscos que essas drogas oferecem  por serem uma maneira menos trabalhosa de se resolver o problema. Assim, a busca e fácil obtenção de fármacos tem crescido cada vez mais.

Assim, faz-se necessária a ação do Ministério da Saúde por meio de políticas públicas que atuem na conscientização popular acerca dos prejuízos gerados pela automedicação, veiculadas através de  campanhas publicitárias nas mídias, abordagem do tema nas escolas para que se formem cidadãos conscientes e responsáveis e eventos como palestras que incentivem as pessoas a buscar por soluções alternativas ao uso de medicamentos como, terapia, aspectos pedagógicos ou até mesmo exercícios, para que diminuam o consumo dessas drogas. Somente assim, conseguiremos erradicar a mediocrização da prescrição de psicofármacos na infância e nos libertaremos dos resultados negativos da enfermidade da ignorância que vigora como cenário maléfico em nossa realidade.