A banalização da prescrição de psicofármacos na infância
Enviada em 20/07/2021
Historicamente, a Revolução Técnico-Cientifico e Informacional, ocorrida a partir de 1960, proporcionou a inovação da produção e consumo de bens relacionados à informática -computadores e celulares. Assim, as crianças e jovens, nascidos a partir dos anos 2000, cresceram com a utilização de aparelhos eletrônicos em suas atividades, desde brincadeiras com jogos infantis até a comunicação interpessoal. Desse modo, o amadurecimento desses indivíduos fora dual, ao mesmo tempo que tornaram-se ágeis, práticos e dinâmicos com a internet também desenvolveram a pouca memória e a ansiedade. Logo, a banalização da prescrição de psicofármacos na infância reflete a contemporaneidade e a partir dela a forma como as crianças se desenvolveram.
A princípio, a socióloga Hannah Arendt, ao estudar a dinâmica social na modernidade, intitulou o processo silencioso e doentio da forma atual de visualização da vida. Esse, intitulado “A Banalização do Mal” refere-se a atitude social de desinteresse e costume social ao verificar a maldade nas relações cotidianas como assassinato, corrupção, ansiedade e depressão. Portanto, o aumento expressivo da prescrição de medicamentos a crianças tornou-se algo comum na sociedade, visto que não há mais autonomia individual em buscar modificar atitudes próprias, pois os indivíduos estão imersos nas redes sociais a fim de sanar as dores e as dificuldades pessoais.
Nesse ínterim, o filósofo Sócrates ao estudar as formas de comunicação e o meio para atingir o conhecimento perante o mundo, atingiu a máxima “Conhece-te a ti mesmo” como o início, meio e o fim para conhecer todo tipo de realidade externa ao indivíduo. Por conseguinte, é explícito que a falta de conhecimento perante si mesmo aumentou expressivamente o uso de medicamentos na infância, ao estimular nas crianças e jovens estilos de vida pautados nas mídias sociais as quais fazem os indivíduos perderem a real sensação de como é a vida, as relações comunicativas e como lidar com os momentos difíceis, visto que os meios de comunicação só ressaltam o dinheiro, fama e padrões sociais doentios.
Afinal, é imperioso para a verificação da banalização da prescrição de psicofármaco na infância que o Ministério da Educação institua nas escolas públicas palestras mensais sobre a sociedade contemporânea, com estudos de sociólogos e filósofos contemporâneos. Para isso, torna-se necessário a presença de intelectuais formados nas Universidades Públicas próximas para realizarem os debates com os alunos, estimulando-os a entender as formas como a sociedade capitalista funciona e os aspectos negativos da mesma, como o uso desenfreado de medicamentos. Somente assim, ocorrerá a efetivação da qualidade de vida dos jovens ao conhecer a si mesmo e modificando a maldade social.