A banalização da prescrição de psicofármacos na infância

Enviada em 27/07/2021

Na égide da História, durante a primeira metade do século XX, o modelo de saúde vigente era o Biofisico, e após a Segunda Guerra Mundial, devido ao alto número de traumas psicológicos, os estudos médicos passaram a considerar o modelo Biopsicossocial, se adaptando aos transtornos mentais. Contudo, apesar do avanço nas pesquisas, as informações acerca dos desvios de concentração são recentes e pouco precisas. Nesse contexto, observa-se um aumento no uso de medicamentos em excesso nas crianças, associado às exigencias de produtividade, bem como o aumento do efeito mercadológico da saúde.

Torna-se relevante discutir, inicialmente, que o mercado de trabalho hodierno é extremamente competitivo, e muitos pais exigem desenvolvimento intelectual precoce dos filhos, com a finalidade de garantir o sucesso profissional no futuro. Diante disso, o economista alemão Klaus Schwab, na obra “Economia 4.0”, cita o termo “Darwinismo tecnológico”, que diz respeito à exclusão dos indivíduos que não se adaptarem às habilidades e competências do meio laboral. Nessa perspectiva, com temor ao processo marginalizador retratado, remédios de melhora do desempenho intelectual são prescritos indiscriminadamente para as crianças, sem respeitar o processo de desenvolvimento natural. Dessa forma, observa-se como as exigências produtivas do ambiente contemporâneo influenciam nas questões de saúde infantil.

Além disso, o efeito abrangente do padrão de consumo afeta consideravelmente a saúde, na indução à procura de medicamentos que aumentam a performance de crianças. Sob essa ótica, o documentário norte americano “Take Your Pills” relata a influência da mídia no consumo de metanfetamina no século XX, droga vista como psicofármaco infantil na época, o que reflete o fator mercadológico da farmácia, meios de publicidade que eufemizam narcóticos pouco estudados, para induzir a venda do produto. De maneira análoga, muitos remédios de TDAH têm suas prescrições banalizadas pela mídia, que somadas ao aumento da automedicação e à dificuldade de diagnóstico da doença, pais são alienados à procurarem esses medicamentos, visando o melhor desempenho dos filhos.

Evidencia-se, portanto, que para garantir o respeito ao processo de desenvolvimento natural das crianças, é relevante ao Ministério da Saúde, por meio de propagandas didáticas de vocabulário acessível, em Redes Sociais como Facebook e Instagram, com médicos pediatras especializados, incentivar a utilizaçao de remédios de melhoria do desempenho somente em casos de extrema necessidade, após diagnósticos bem estudados e eficientes. Assim, o meio se desenvolverá adaptado ao processo de amadurecimento do conhecimento acerca das questões biopsicossociais.