A alimentação na rede pública de ensino
Enviada em 11/01/2021
“Não há nada mais duro que a suavidade da indiferença.” Essa afirmação do escritor equatoriano Ivan Moltavo pode ser facilmente aplicada à questão da precarização da alimentação na rede pública, uma vez que demonstra a passividade da população diante dessa problemática. Inegavelmente, tal conjuntura tem como origem clara o discurso capitalista. Assim, entre os fatores que consolidam esse panorama, destacam-se a desigualdade social, juntamente com a postura negligente do Estado.
É fundamental perceber, a princípio, que a estratificação social, aliada à narrativa capitalista, alicerça o atual cénario de precariedade na alimentação da rede pública. Isso ocorre porque a rede publica é composta majoritariamente por indivíduos da classe baixa, que não dispõem de uma nutrição adequada, tendo em vista que o poder aquisitivo do núcleo familiar é insuficiente. Com base nisso, a alimentação ofertada nas instituições é compreendida como grandiosa, e assim não se discutir sobre a qualidade das refeições. Esse quadro comprova o pensamento do sociólogo brasileiro Jessé Souza, o qual: “existe toda uma classe social condenada ao fracasso, a ralé brasileira”, já que a desigualdade é o cerne para o insucesso da alimentação na rede pública.
Além disso, a postura omissa do governo, somada à mentalidade capitalista, solidifica o atual quadro de precariedade na alimentação da rede pública. Essa situação ocorre pois o Estado, por realizar uma péssima administração dos recursos da União, destina poucas verbas à manutenção da alimentação de qualidade à rede pública. Como consequência disso, os jovens enfrentam com dificuldade os estudos, uma vez que a boa alimentação influencia no desempenho dos discentes. Tal raciocínio está em paralelo com o do jornalista Gilberto Dimenstein, em seu livro Cidadão de Papel, o qual demonstra que os direitos da sociedade figuram somente na téoria, já que na realidade não existe a execução desses privilégios.
Diante do exposto, é importante destacar que precariedade na alimentação da rede pública tem como origem clara a mentalidade capitalista. Dessa forma, a fim de solucionar essa problemática, o governo federal, em parceria com seus órgãos e ministérios, deveria criar um Programa de Incentivo à Segurança Alimentar, que propusesse, junto ao Congresso, a criação de leis que alterassem as Diretrizes Nacionais Curriculares, com o fito de que os alunos do ensino fundamental e médio tenham conhecimento sobre os seus direitos. Ademais, é vital que esse programa crie um Fundo de Investimento que patrocine a alimentação dos discentes aos finais de semana. Espera-se com essas medidas que a população perceba a importância dessa problemática.